Projetos – Projects

ESCALAS DA BIODIVERSIDADE – SCALES OF BIODIVERSITY

MIGRATORY SONGBIRD CONSERVATION IN BRAZIL – THE CASE OF PURPLE MARTIN

LEVANTAMENTO E MONITORAMENTO DA FAUNA DA FLORESTA DO INSTITUTO BUTANTAN

A urbanização e as atividades humanas afetam diretamente a qualidade dos hábitats e a probabilidade de sucesso de dispersão dos animais e vegetais aí presentes, quando cercados pela malha urbana. Diversas espécies de plantas e animais não conseguem sobreviver no cenário Embora algumas espécies se mantenham com sucesso e outras cheguem a colonizas as áreas totalmente urbanas, com predomínio de construções e a presença de áreas ajardinadas esparsas, outras desaparecem totalmente. As áreas verdes, como parques e florestas urbanas, e até mesmo praças, tornam-se assim importantes locais de refúgio para os seres vivos, permitindo a preservação e perpetuação da diversidade biológica. Podem possibilitar a existência de uma vegetação lenhosa diversificada, frequentemente composta de espécies nativas e exóticas, com árvores de grande porte que servem como abrigo, nutrição e substrato para uma variedade de animais.

O levantamento e monitoramento da fauna de parques urbanos  fornece informações para a conservação das comunidades naturais e auxilia na compreensão das respostas da fauna a alterações ambientais. Séries temporais de composição de comunidades coletadas por longos períodos fornecem dados valiosos sobre processos ecológicos, além de mudanças na estrutura e nos serviços dos ecossistemas.

Além do acompanhamento das populações através do monitoramento periódico, a coleta e deposição das espécimes-testemunho (vouchers) dessa fauna com suas respectivas informações complementares em coleções biológicas, também é importante. Esses espécimes servem como registros espaço-temporais da variação genética e morfológica das espécies , e contribuem com a aquisição de novos conhecimentos acerca da biologia e ecologia destes grupos. Assim, as coleções biológicas fornecem informações valiosas sobre a história e os esforços para o conhecimento da biodiversidade. 

Adicionalmente,  a conservação também depende, em grande parte, da informação transmitida à sociedade, tanto sobre sua importância quanto a aspectos menos utilitários, com destaque para a beleza. Sabe-se que é mais provável que pessoas adotem as ações de conservação quando têm experiências de contato direto com a natureza. As experiências com o mundo natural, especialmente durante a infância, parecem ser a fonte mais importante para desenvolver uma sensibilidade ambientalAlém disso, em um mundo em crescente urbanização, as experiências primárias da grande maioria das pessoas se dá através do contato com a natureza urbana, já que a maior parte da população humana se concentra nas cidades.  

Portanto, as áreas de vegetação nos centros urbanos são importantes para medidas de conservação e úteis para medidas de conscientização, pois nelas muitas espécies nativas e processos ecológicos podem se manter. Seu estudo possibilita gerar o conhecimento que é assim empregado em estratégias de conservação, comunicado à sociedade, e utilizado na elaboração de materiais e atividades de apoio.

Os pesquisadores e alunos inventariam e monitoram diferentes grupos de vertebrados e invertebrados no parque, além de realizarem alguns estudos voltados para a saúde destes animais e sua relação com a saúde humana: pequenos mamíferos terrestres e voadores (marsupiais e morcegos), aves, herpetofauna, borboletas, aranhas e abelhas nativas.

  • OBSERVATÓRIO DE AVES – INSTITUTO BUTANTAN
  • CENSO E ATLAS DAS AVES DO PARQUE DO INSTITUTO BUTANTAN
  • LEVANTAMENTO E MONITORAMENTO DAS ESPÉCIES DE QUIRÓPTEROS E SEUS ECTOPARASITAS NO PARQUE DO INSTITUTO BUTANTAN
  • INVESTIGAÇÃO DO PAPEL DE MARSUPIAIS COMO HOSPEDEIROS DE TRYPANOSOMA CRUZI NO PARQUE DO INSTITUTO BUTANTAN
  • LEVANTAMENTO DA ARANEOFAUNA DO PARQUE DO INSTITUTO BUTANTAN
  • LEVANTAMENTO DA DIVERSIDADE DE ABELHAS NATIVAS NO PARQUE DO INSTITUTO BUTANTAN

Inventário e monitoramento da fauna de lepidópteros do parque do Instituto Butantan

As borboletas apresentam uma grande diversidade, até mesmo em áreas urbanas, e seu estudo é favorecido por aspectos de sua biologia – atividade diurna, padrões de colocação que possibilitam sua identificação, ciclo de vida curto. São considerados excelentes bioindicadores, refletindo condições ambientais e suas mudanças.

Para realização do levantamento das espécies de borboletas foram selecionados diferentes habitats encontrados no parque do Instituto Butantan Os locais incluem regiões de interior de mata secundária, clareiras e bordas de mata, proximidades da água, e regiões próximas a uma nascente, além de trechos de vegetação exótica e áreas abertas com predomínio de gramíneas.

Os censos são realizados mensalmente, de forma a representar os ciclos sazonais. Cada um deles tem duração aproximada de 3 horas, é realizado entre 10:00 e 14:00 horas, apenas em dias ensolarados, sem chuva e com nebulosidade de até 30%. 


Cada transecto é percorrido por um especialista munido de câmera fotográfica e rede entomológica, registrando todas as espécies de borboletas visualizadas. Caso o observador não consiga reconhecer uma espécie em campo, ele a fotografa ou coleta para posterior identificação através de bibliografia especializada ou consulta de especialistas. 

SELEÇÃO DE HÁBITAT DE AVES MIGRATÓRIAS E RESIDENTES EM AMBIENTES URBANOS

A seleção de habitat, caracterizada pela relação entre seu uso e disponibilidade, é fundamental para a nossa compreensão da relação entre os organismos e o meio que habitam. Em ambientes urbanos, o conhecimento desse processo fornece informações sobre coexistência de espécies e construção de ações de manejo que tornem as cidades mais amigáveis à biodiversidade. Este estudo tem como objetivo compreender padrões de seleção de habitat em seis espécies de aves migratórias (peitica, bem-te-vi-rajado, enferrujado, juruviara, suiriri e tesourinha) e duas espécies de aves residentes (bem-te-vi e neinei) em paisagens urbanas através da técnica spot-mapping.

Espécies migratórias: A. peitica (Empidonomus varius), B. bem-te-vi-rajado (Myiodynastes maculatus), C. enferrujado (Lathrotriccus euleri), D. juruviara (Vireo chivi), E. suiriri (Tyrannus melancholicus) e F. tesourinha (Tyrannus savana). Espécies residentes: 1. bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) e 2. neinei (Megarynchus pitanga).

A técnica de spot-mapping consiste em coletar dados de localização espacial, atividade e tipo de registro (auditivo e/ou visual) de todos os indivíduos detectados ao longo de trajetos pré-determinados dentro das áreas delimitadas. O acúmulo de pontos de localização no mapa (clusters) caracteriza “centros de atividade”, isto é, áreas preferidas por cada espécie. 

O estudo é conduzido na cidade de São Paulo, no distrito do Butantã, em paisagens que representam a heterogeneidade de ambientes urbanos, desde áreas totalmente urbanizadas com baixa cobertura vegetal até fragmentos florestais . As duas áreas de estudo situam-se na interface entre a área da Faculdade de Medicina Veterinária da USP e o bairro adjacente, e no Instituto Butantan.

áreas de amostragem na zona oeste da cidade de São Paulo: em amarelo a Faculdade de Medicina Veterinária USP e bairro; em verde, Instituto Butantan.

O projeto busca averiguar se as espécies estudadas selecionam habitat em proporções distintas das disponíveis, se há um gradiente de tolerância à urbanização que difere entre estas espécies, e se a distribuição espacial das espécies residentes se altera sazonalmente com a presença/ausência das espécies migratórias.

RESISTÊNCIA DE MARSUPIAIS SUL-AMERICANOS AO VENENO DE SERPENTES

INDICADORES DE SAÚDE DAS AVES DO SUBBOSQUE

USO DE DADOS DE PLATAFORMAS COLABORATIVAS E CIÊNCIA CIDADÃ PARA O ESTUDO DE HISTÓRIA NATURAL DE AVES NEOTROPICAIS

PEQUENOS MAMÍFEROS DA MATA ATLÂNTICA E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: PESQUISA E DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA AO LONGO DE UM GRADIENTE ALTITUDINAL


e-NATUREZA: VALIDAÇÃO AFETIVA DE IMAGENS DA NATUREZA COMO RECURSO COMPLEMENTAR PARA A PROMOÇÃO DE BEM-ESTAR NO AMBIENTE HOSPITALAR

foto: Luciano Lima

A ciência tem mostrado que o contato com a natureza melhora a saúde e a qualidade de vida. Para determinar em qual aspecto ou ambiente natural os seres humanos podem ser influenciados de forma positiva, o projeto e-Natureza, financiado pelo CNPq, tem como objetivo identificar categorias de imagens digitais de animais, plantas e paisagens que promovam bem-estar.

O e-Natureza é coordenado pela Profª Drª Eliseth Leão, do Instituto Albert Einstein, e conta com a participação da Profª Drª Erika Hingst-Zaher e de Luciano Lima, do Museu Biológico do Instituto Butantan, juntamente com uma equipe multidisciplinar que envolve a National Geographic e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

foto: Luciano Lima

Nas últimas décadas tem se observado um crescente interesse dos pesquisadores em compreender como a adoção de elementos naturais no cotidiano, inclusive, nas instituições hospitalares, podem caracterizar ambientes restauradores e refletir em melhores condições de saúde para os pacientes. O contato com a natureza pode ser feito de forma indireta por meio de fotografias. Todavia, não existe um banco de imagens de natureza validado para uso clínico (somente para uso restrito em pesquisa). Este projeto tem como objetivo validar imagens da natureza e verificar seu potencial terapêutico no cuidado a pacientes oncológicos em tratamento quimioterápico. Para tanto, a pesquisa está dividida em duas fases: a construção de uma ferramenta web que possibilite a validação de fotografias de natureza em conformidade com método de validação internacional, com a participação de estudantes e profissionais de saúde, bem como indivíduos da população geral, seguindo o modelo de ciência cidadã. Na segunda fase, as fotografias validadas comporão um banco de imagens a serem utilizadas no ensaio clínico randomizado com pacientes em tratamento oncológico quimioterápico. Ancorados nos pressupostos da teoria da biofilia, a hipótese de estudo é que esta intervenção promova bem-estar e favoreça estados de ânimos mais positivos, além de reduzir sintomas decorrentes do tratamento durante as sessões de quimioterapia.